sexta-feira, 24 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

no direction home

duas gardênias na lapela esquerda e a mulher de minha pequena vida com olhos de chuva de vida e noite e dia para ir com seu coração na louca e linda viagem de uma vida pequena e simples como duas gardênias escritas um amor uma vida uma lapela esquerda com três fiapos de tempo e lã

domingo, 12 de setembro de 2010

escrever como um arranhador qualquer

Ele afinou as cordas de sua harpa
Nos tons que só ele e a sós escuta;
Nunca os ouviu dos mestres - se desfarpa
Talvez por isso a vibração d'inculta
No vosso ouvido.

m. redin

livrai-nos do livro

Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.


Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.


Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:


Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.