terça-feira, 24 de novembro de 2009

exercício no SA ministrado por Sandra - primeiro semestre, erros mantidos.

Exercício 14.04
Personagem criada: A Senhorita.
Traço biografemático: O Cheiro forte.
Cenário: O Café da Bety.
Outros: O Narrador Que Toma Café, Ana Loira Glúteos Enormes, Bety Caixa Rude.

1) Forma direta.
Ela entrou enquanto eu empinava uma xícara de café que passou a descer com um gosto peculiar. Até aí, enquanto o café descia pela língua, nada mais a se estranhar, tudo como sempre, a mesa quase engordurada, os vidros bem limpos, o barulho de Bety e seu mal humor na caixa e os sininhos da porta – que neste horário quase sempre barulham de vinte e três em vinte e três segundos ou quase-isso-em-média. Foi quando os sininhos da porta novamente quebraram minha média e tudo foi pelos ares e o café e a xícara baixaram não como sempre com aquele gosto, e Ela, outra Ela, não a primeira que entrou quando o café descia, Ana, mas Ela, aquele cheiro de gosto forte, sumindo no cerrar dos meus olhos e na voz de Bety, com meus olhos já fechados e o nariz e a língua despertos, e “Senhorita?” na rutileza de Bety agilizando a falta de fila na caixa registradora. Senhorita, esta era Ela, aquela do cheiro forte mais forte que o café e mais belo que a loira Ana, sempre tão cobiçada por estas manhãs comuns de glúteos enormes.

2) Forma indireta.
Não é daquelas coisas de tocar. De certo, nem de ver. Com os olhos abertos qualquer homem qualquer poderia desdenhar à Senhorita – como se desdenha a um poeta de dente torto ou caolho. Mas não é disso que se trata. Dente torto e olho vasado são daquelas coisas que qualquer um repudia – assim como pó de café grudado nos dentes após empinar uma xícara do café de Bety. A Senhorita, como Bety me fez batizar aquele cheiro forte, não é daquelas coisas que apetecem, como Ana, nem que enojam, como borra de café nos dentes. A Senhorita é de outra classe. A Senhorita é de cheirar.

3) Forma mista.
E baixo os olhos para um largo pires velho e sua xícara mal encaixada. Trilinn. Os sininhos da porta quase vinte e três vezes três segundos depois da entrada. Roçar de leve com dois dedos compridos em seu conjunto úmido de calor. E com uma mulher? Será estranho não a ver antes de nada. Mais lúbrico assim? A Senhorita e sua nota estranha de peles brancas e roçar negro de cabelos. Ela está aqui ou foi quem saiu? Um pouco mais e não é preciso que os olhos alcem. A Senhorita está aqui, numa presença encorpada: seu cheiro forte guia meus dedos. Unhsffinn. Um cheiro forte e os dedos ainda leves na borda branca do pires quente esquecem até dos sininhos da porta.

o pior tradutor de samuel beckett - joaquim arievillo

está tudo pela hora da morte. é isso. uma noite inteira de trabalho com dois originais, um francês outro inglês - mas como é possível dois originais não faz diferença. está tudo pela hora da morte. ele disse que essa frase foi a tradução de toda noite. o risco de traduzir, argumenta com a cara amassada, é encontrar o

sábado, 21 de novembro de 2009

ciropédia ou a educação do príncipe - hc

Ele trafica em as. Ele madrepérola o abismo. Ele exige ao Azul a explicação: azul.
Todoamoroso grita: "O umbilical. A Árvore Ave! para o babelidioma. A
omphalosárvore".