segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Joyceanas - rascunhos de agosto

4.

Do sonhorvalho algumas vezes

Tem lembranças; mas nos longos sofás

Por ais ocupados – apenas finos rebotalhos.


Onde um douradilho longe cintila

A aurora conclama em trombetas

A bucha que em teu corpo, ainda


Uma chama tímida alimenta.

Corpo aguado, repousa todos os dias;

dorme-em-flor: teu cheiro tua sina tua comida.

Joyceanas - rascunhos de agosto

3.

A mão espalmada faz seu corpo soar

Dedos de fitas, seus cabelos de ninfa

começam a atar; a cinta angulando


teu seio, no lusco-fusco pendendo

pubescente – lembra, enquanto isso a ausência

de rendas da infância: minutos perdidos.


A mão espalmada fez seu corpo suar

parabéns-a-você: que faz a vida balançar

O cabelo suado, suave a desatar.

Joyceanas - rascunhos de agosto

2.

Arabesco esquivo, luzir floreando

O botão exala o que de mais caro há

Na fita dourada, o cheiro: ah!


Na haste brinca, sua vida: balançar

A carne em ouro – alquimista; tua língua

O laço do buquê, não canso de gozar.


Família de longa data, casario

Porta-de-aristocrata; arabesco na fachada

Leques e roupas-rendadas: ainda: pregueada.

Joyceanas - rascunhos de agosto

1.

Sifílicas meias, pernas a alongar

Veloz em cascos, finuras paragens

Teu sítio calçado – belas tetas, santas-seias.


Vermelho: luz, vinte-e-sete

Tatuagem trivial – chicotes e doses

Astúcias contra as rendas, a furar: um pêlo.


Tinindo couro ardiloso, botas e ventre

Vadia-santa: o cheiro de tuas ligas

Salva-me; hóstia da minha cidade – santa-perene!