sexta-feira, 11 de março de 2011

Orquestra Textual Avalovara apresenta

SATREOPN








transe em trânsito por temas oito de palavras cinco e letras cinco no relógio de Julius Heckethorn – em pulsos sílfides, quarto-e-sala ou quase um fosso de elevador – que marcam saltos, apanhados, cornos, punhais da língua, bicos e aves negras no ventre que da boca da ave sem nome, talvez de um livro, em vôo de queda livre na leveza da espiral que rebate e bate e bate e rebate, recurvam o corvo em círculo: pois é de nascer e nascer como cem bocas que lêem um texto na lápide de Leonardo ou na palma da mão que encanta o duplo silvo do pássaro que situa o salto no quase claro de uma língua duas vezes estrangeira dos dois círculos de Roos e cercanias. Clarividência sideral no dorso com dorso do face a face no bico com bico e se bicando na sobreposição que suprime a , pois se lá se expira um corno arranha e marca na pele profunda do sonho semicerrado da criação que sulca o criador que sustém o susto no sulco ainda ausente e mas talvez já lá no preciso, eu disse preciso, preciso!, trópico e eclipse do Unicórnio e velocípede de rodas quadradas que ruma ao fundo obscuro que tende ao negro cair, da pena da ave, da cena da cópula, da papoula e Iólipo, do olho de cem meninas e do rumor de cem bocas de cem borboletas de cem mariposas em um único curso e torneio que se nomeia e numera e marca o fragmento que só ali está no brilho do olho daquela sem porquê sem o onde sem o nome que especula o quarto-e-sala crocodilo corpo tapete tigre arara no olho a olho a olho nu no dorso dos dois mil olhos duplos: encontros, percursos, revelações. O torno de um real onírico no corno rígido solo e suas voltas precisas como um sorvete italiano de máquinas de Cassino ou perto da casa da Gorda, ranço e dourado, branco, besteiras de Paris um trem e o segundo círculo de Roos em Amsterdan: Abel tem suas torres, cada uma ereta como sua língua lambendo a tela de aço fina das janelas para não saltar e as letras finas todas ornadas no volume velho da lablirintoteca, pés seios cornos, a pata esquerda traseira ferida e as três rodas do velocípede que precipita o salto no elevador sem tela e ela é o pássaro que cai e o olho que rapina em sobrevôo o peixe que salta do mar um peixe sem narinas só guelras um peixe que salta do mar e um salto é uma vida um lance no qual se lança fora do mar e num torneio ou outro o salto é iluminação ou carnação no bico de um pássaro que precipita a queda no ventre que é ela, nascida e nascida, e um olho que especula fecha a cena e o velocípede é veloz a leitura fechada na roda esquerda traseira veloz e o pé de menina na sandália desfocada sobe e retorna é fechada na roda a leitura a cena e a roda mais a frente já não é quadrada é círculo um ponto no centro e dois traços duas varas de orquestra pois cada mão é só é duas cada e os dois traços de espanto de linha e do carpete que abafa ao piso que crepita o plástico roda-gira o grito da boca que não fala, do ralo de escorrer gente, do beira fosso e os sem-narinas mil tictac’s pausa e sombra e cair e saltar um outro pedaço outro torneio de Abel babilônico que de verso pra frente e de verso em verso a verso versa a ela, revela o reverso dela, tenta fisgar o peixe, tela da rede do quadrado molhada a tela pela boca descendo com a chumbada e lá o lodo do fundo e o fisgo da tela cinco por cinco e um bico negro pula e lhe rouba a boca papoula língua e nariz. [Suspender o ar. Ler um intervalo ou janela de trem, sobre o unicórnio com greta ferida o som das cidades passando ao largo, negro, talvez nada mais que um espio pela janela do quarto-e-sala. Algumas luzes, nenhuma sombra.] – Entre caibros e telhas sem peso: não há cidade para a narrativa que corre fechada nas duas mãos unidas que correm pelas pontas dos dedos e sustentam um mundo tênue – nuca de fios longos e ruivos e leves, um vento, sopro díssono, melopoética efemereterna na cabeleira negra-mar onde não há pois só há detalhes na execução mesmo se semicerrados e hemilabiais as dissonantes bocas e olhos semitonstos doze um relógio cravado na tatuagem do tapete revela a guelra um tigre e os fios rubros úvula é a cor e o pássaro composto que prolonga o salto a oveira do peixe na curvo bico se espalha e salto e queda é ela nascida e nascida sem cidade e que abre os braços em t e o pescoço escorre nas costas brancas na beira do cemitério marinho onde pairam os de capas amarelas varas e técnicas de pescaria ritmada – cá e lá de semprenunca, cravo e mandolin: o onde, o nome, o porquê: nada soa mais alto mais profundo mais extremo que a hora e o lugar no exato trópico imbatizável lá é cá querer é criar os dedos repassam as oito cordas que se repetem aos pares soando duplas e a leitura sonada de sator arepo tenet opera rotas grita em Iólipo e Unicórnio os o’s de Roos e a O E A vogados sobe e desce na escala mão marcada ao rebento da corda rebentada um troço um traço outro na leitura dos temas cinco de letras cinco de linhas cinco por cinco palavras e letras pele branca marcada é pássaro negro e o relógio o relógio de Julius Heckethorn retorna preciso escrever isso preciso escrever isso preciso escrever isso preciso escrever isso preciso como a precisa orquestra de um cravo preciso escrever isso preciso escrever isso preciso escrever isso que cresce salta e afunda eu vou saltar eu vou saltar e pedalo rápido os dedos da mão marcada correm eu quero tocar o sol no fundo onde os peixes com ele se misturam carpete e piso e pedalo reto reto uma tortura tonta Viena da hora extrema o lugar extremo dorso com dorso cara com cara um fosso de quarto-e-sala uma corda arrebenta na orquestra de um cravo-mandolin só escrever isso escrever isso escrever escrever escrever o salto e queda ela salto e queda nome onde porquê






SATREOPN

SATREOPN

Partitura Textual
[Da espiral e o quadrado; Dos triângulos e a estrela.]





TEXTO REFERENCIAL
LINS, Osman. Avalovara. 6ª Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.


[Composta para o Seminário Avançado O que é o ato de criação? Método Valéry-Deleuze, ministrado pela Profª Drª Sandra Mara Corazza, junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.]

terça-feira, 1 de março de 2011

[branca]

lucila já a palavra vaga
alguma h hýbris
o mimo em papel camurça branco

galáxias?

a paixão branca
branca como o intervalo nu

[branca]

a palavra tua pele a página
bailarina esguia camurça
teu corpo um mantra nuca e vincos

a paixão branca
arde

preto e forte na xícara larga meias
bolinhas lã segunda pele
finos dedos - transparentes no
nexo constelário vulto manto

a palavra tua pele arde

[branca]

figura de palavras: vida (1)

esqueletos polidos
poliedros
ecos de diamante
esta face é um sinal
um sinal
esta face
heliotropias espelhos espectros
nuvens convexas como dedos
estalidos de dedos
esta face é um espelho
e um sinal
poliedro polieco
vacante de espaços
armários onde o sol
não chega para a desova
diurna
urna esta face o sinal
fechado no sobretudo violeta
um corpo
um corpo
a água se represa na minúcia
e lacrima no olho
desordens centopéias centauros fingidos
fogos de palha tempestades
no copo
um cemitério de fosfóros riscados
piróvagos

a palavra é isto vulva
de cadela úvula
vibrante de som

migranas fantasmagorias
um gosto de escarlate
nas narinas

a palavra pode isso
tudo pede
isso tudo

perde isso tudo papilas
amônia precipitada harmonias
contactos
pupilas

a palavra

amor êxtases emulsões
sinuosidades constelantes
nus

sob lentes grossas
sob uma ducha de nitrato de
prata



(do Signantia, de Haroldo de Campos.)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Pesquisa Qualitativa ou Pesquisa Quantitativa?

- Só me interessa se for uma pesquisa real-visceralista.

sábado, 30 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

um dia com "alguma coisa" de Bukowski

estou sem fósforos.
as molas de meu sofá
estouraram.
roubaram minha maleta.
roubaram minha tela a óleo de
dois olhos rosados.
meu carro quebrou.
lesmas escalam as paredes de meu banheiro.
meu coração está partido.
mas as ações tiveram um dia de alta
no mercado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ungaretti - Haroldo

O Porto Sepulto


Eis que chega o poeta
e volta depois para a luz com os seus cantos
e os despende

Desta poesia
me resta
aquele nada
de inexaurível segredo

domingo, 10 de outubro de 2010

pinga fiada

essa cidade não tem mar e tu não sabe escrever.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

no direction home

duas gardênias na lapela esquerda e a mulher de minha pequena vida com olhos de chuva de vida e noite e dia para ir com seu coração na louca e linda viagem de uma vida pequena e simples como duas gardênias escritas um amor uma vida uma lapela esquerda com três fiapos de tempo e lã

domingo, 12 de setembro de 2010

escrever como um arranhador qualquer

Ele afinou as cordas de sua harpa
Nos tons que só ele e a sós escuta;
Nunca os ouviu dos mestres - se desfarpa
Talvez por isso a vibração d'inculta
No vosso ouvido.

m. redin

livrai-nos do livro

Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.


Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.


Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:


Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

James Joyce usando o Método de Dramatização

Quem?
Homem-comum ou Ninguém.

Como?
Por várias perguntas femininas reiteradas referentes à destinação masculina para onde, o lugar que, a hora em que, a duração para a qual, o objeto com o qual no caso de ausências temporárias, projetadas ou efetuadas.

Quando?
Indo para uma cama escura havia um quadrado em volta de Simbá o Marinheiro ovo de alca de roco na noite da cama de todos os alcas dos rocos de Darkimbá o Darkimbadeiro.

Onde?
.





(montagem com o episódio 17 de Ulisses traduzido por Bernardina.)

terça-feira, 15 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Impostura

Foi publicado neste confiável blog:

http://fantasiasescritura.blogspot.com/2010/05/atacao-ou-exercicio-cenografico-de.html

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Senhor Educador

A dissertação "Biografemática do homo quotidianus: O Senhor Educador" já está na biblioteca digital da UFRGS; pesquisa de Marcos da Rocha Oliveira; orientação de Sandra Mara Corazza; banca final: Ester Heuser, Gabriel Sausen Feil, Margareth Schäffer, Rejane Pivetta - estiveram ainda, na qualificação, Eduardo Pellejero e Paola Zordan.

http://hdl.handle.net/10183/21380

É só conferir.

Disponibilizarei, nos próximos dias, passagens escolhidas.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Edital do MinC provoca protestos de intelectuais

Recebi:

"Um edital de apoio do Ministério da Cultura (MinC) está causando protestos no meio intelectual. Trata-se do Edital de Periódicos de Conteúdo Mais Cultura, lançado em 30 de setembro, e que teve 26 publicações habilitadas no último dia 19 de fevereiro. Dessas, apenas 4 serão escolhidas
O edital destina-se a abastecer bibliotecas públicas, Pontos de Cultura e de Leitura com publicações de natureza cultural (literária, musical, de artes plásticas). Para tanto, vai destinar-lhes R$ 2,1 milhões. Acontece que, entre os selecionados, estão a "Rolling Stone", "Caros Amigos", "Brasileiros", a "Piauí", "Le Monde Diplomatique" e a revista de inglês "Speak Up", o que levou concorrentes não habilitados a protestarem contra os critérios do edital. Publicações de grandes grupos editoriais, como a "Bravo!", também tentaram a seleção (sem sucesso).
Diversas revistas alternativas importantes, a maior parte de literatura, e que penam horrores para chegar a parcos leitores, não foram habilitadas. A falta de apoio tem vitimado várias, caso da "Ontem Choveu no Futuro", de Campo Grande, que só teve um número; a "Entretanto", do Recife; a "Babel", de Santos; a "Etcetera" e a "Oroborus", de Curitiba, e a "Pulsar", do Maranhão.
Outras, como a "Polichinello" do Pará e a "Azougue" e a "Inimigo Rumor", do eixo Rio-São Paulo, resistem a duras penas. Uma das que saem aos trancos e barrancos (é apoiada por programa da cidade de Londrina, no Paraná) é a "Coyote", publicada há 8 anos (sai esta semana a número 20). Ela foi desabilitada pelo edital por não possuir assinaturas individuais. Um dos seus editores, Rodrigo Garcia Lopes, está frustrado com o resultado.
"O edital privilegia revistas comerciais, que estão no mercado, e acaba inviabilizando revistas de conteúdo realmente cultural, de criação. Será que a 'Rolling Stone', a 'Speak Up' e uma revista como a 'Piauí', que têm uma infraestrutura por trás, um instituto, realmente precisam de incentivo fiscal? É como se fizesse uma política agrária para o latifúndio e deixasse o pequeno agricultor morrer à míngua. Isso é um erro terrível, num governo popular e democrático como este."
Marcio Seidenberg, do grupo que edita a "Ocas", disse que só soube que a publicação não tinha sido habilitada um dia antes de poder entrar com recurso. A revista é vendida nas ruas e bares. "Não sei exatamente qual é a função do edital, se é levar publicações alternativas às bibliotecas ou revistas consagradas", ponderou. O MinC informou que pretende reavaliar o edital numa próxima edição, mas manteve a decisão da comissão julgadora. Também estuda ampliar o volume de recursos para o edital.
(Agência Estado)"

quinta-feira, 11 de março de 2010

tomaztadeu.net/?m=200904

E. E. Cummings

só a mão disse ele
(ó não disse ela
uma vez disse ele)
delícia disse ela

(posso tocar disse ele
quanto disse ela
bastante disse ele)
por que não disse ela

(então vamos disse ele
não muito longe disse ela
onde é muito longe disse ele
onde tu estás disse ela)

me deixa ficar disse ele
de que jeito disse ela
deste jeito disse ele
se beijares disse ela

um pouco mais disse ele
se for amor disse ela)
se quiseres disse ele
(mas me matas disse ela

mas é vida disse ele
mas tua mulher disse ela
agora disse ele)
ai disse ela

(é demais disse ele
quero mais disse ela
ó não disse ele)
devagarinho disse ela

(gggozas?disse ele
ummm disse ela)
és divina!disse ele
(és Meu disse ela)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

e não ocorre nada

Ora, paradoxalmente (a tal ponto a opinião crê que basta ir depressa para não nos aborrecermos), esta segunda leitura, aplicada (no sentido próprio), é a que convém ao texto moderno, ao texto-limite. Leiam lentamente, leiam tudo, de um romance de Zola, o livro lhes cairá das mãos; leiam depressa, por fragmentos, um texto moderno, esse texto torna-se opaco, perempto para o nosso prazer: vocês querem que ocorra alguma coisa, e não ocorre nada; pois o que ocorre à linguagem não ocorre ao discurso: o que "acorre", o que "se vai", a fenda das duas margens, o interstício da fruição, produz-se no volume das linguagens, na enunciação, não na sequência dos enunciados: não devorar, não engolir, mas pastar, aparar com minúcia, redescobrir, para ler esses autores de hoje, o lazer das antigas leituras: sermos leitores aristocráticos.

Roland Barthes. O prazer do texto, p. 18-19.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sonhos de Bunker Hill

Eu tinha dezessete dólares na minha carteira. Dezessete dólares e medo de escrever. Sentei ereto em frente à máquina de escrever e soprei meus dedos. Por favor, Deus, por favor, Knut Hamsun, não me abandonem agora. Comecei a escrever e escrevi:

"É chegada a hora", disse o Leão-Marinho,
"De falar de muitas coisas:
De sapatos - e navios - e cera para lacre -
De repolhos - e reis -"

Olhei para aquilo e umedeci meus lábios. Não era meu, mas, com os diabos, um homem tem que começar por algum lugar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quedas e Viragens

A obra desenvolve-se a partir, em torno de uma rachadura que ela jamais consegue preencher. Que o romance, notadamente depois de Joyce, tenha encontrado uma nova linguagem do tipo "Questionário" ou "Inquisitório", que ele tenha apresentado acontecimentos e personagens essencialmente problemáticos não significa, evidentemente, que não se esteja seguro de nada; não é, evidentemente, a aplicação de um método de dúvida generalizada, não é o signo de um ceticismo moderno, mas, ao contrário, a descoberta do problemático e da questão como horizonte transcendental, como foco transcendental que pertence de maneira "essencial" aos seres, às coisas, aos acontecimentos. É a descoberta romanesca da Idéia, ou sua descoberta teatral, ou sua descoberta musical, ou sua descoberta filosófica...; é, ao mesmo tempo, a descoberta de um exercício transcendente da sensibilidade, da memória-imaginante, da linguagem, do pensamento, descoberta pela qual cada uma destas faculdades se comunica com as outras em plena discordância e se abre à diferença do Ser, tomando como objeto, isto é, como questão, sua própria diferença: tem-se, assim, essa escrita que nada mais é do que a questão O que é escrever? ou essa sensibilidade que é apenas O que é sentir? e esse pensamento, O que significa pensar?


Gilles Deleuze

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Currículo - Sandra Corazza

extremo eco
violento risco
pele de onagro
biografema derradeiro
in-útil ir-real
in-certo in-definível in-descritível
in-sondável in-decifrável ine-narrável in-calculável

currículo-vida:
una disperata vitalità




(Abecedário: Educação da diferença.)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O inominável

Ah essa voz cega, e esses instantes de respiração suspensa em que todo o mundo escuta perdidamente, e a voz que recomeça a tatear, sem saber o que procura, e de novo o ínfimo silêncio, à espreita de não se sabe o quê, um sinal de vida, deve ser isso, um sinal de vida que escaparia a alguém, que se negaria se viesse, é certamente isso, se tudo isso pudesse acabar, seria a paz, não, você não acreditaria nisso,ficaria na tocaia, da voz de novo, de um sinal de vida, que alguém se traísse, ou de outra coisa, uma coisa qualquer, que pode haver mais do que sinais de vida, um alfinete que cai, uma folha que se agita, ou o gritinho que soltam as rãs quando a foice as corta em duas, ou quando as acertam, na água, com a lança, você poderia multiplicar os exemplos, seria mesmo uma excelente ideia, mas aí está, você não pode. Talvez fosse preciso ser cego, cego ouve-se melhor, não são informações que faltam, temos em nossa bagagem afinadores de piano, dão o lá e ouvem o sol, dois minutos depois, não se vê nada de qualquer modo, esse olho é uma miragem. Mas não é Worm que está falando. É verdade, até agora, quem diz o contrário, seria prematuro. Eu também não, se formos por aí. E Mahood é notoriamente afônico. A questão não está aí, no momento, não se sabe onde ela está, mas não está aí, por ora.

O inominável, Beckett.
Tradução: Ana Helena Souza
p.132

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Defesa - 21.01.2010 17h sala 703




“O Senhor Educador”, um texto da série “Biografemática do homo quotidianus”. Tal coleção pratica a Escrita de Vida implicando-a numa não-relação com a já triste metodologia de pesquisa Histórias de Vida – maltratada pela estereotipia da escrita em Educação, pelo pesadume do sentido. O cotidiano lido com Maurice Blanchot, James Joyce, Haroldo de Campos, encontra as condições operatórias para a implicação da noção de biografema, de Roland Barthes. Este cenário, tempespaço de escrileitura, é posto à prova na composição fragmentária de um personagem que dá movimento às qualidades fantasmáticas do homo quotidianus: “O Senhor Educador” mostra, em pormenores exacerbados e traços recolhidos de um amplo inventário sócio-cultural – uma literatura necessária, uma Educação amada – a insignificância, a vida fugidia, a abertura, o desfazimento operado por sua escritura nos Estudos do Cotidiano e nas narrativas de ênfase biográfica e autobiográfica. “O Senhor Educador” faz, a um só tempo, uma extensa crítica educacional e uma intensa fantasiação de “vidarbo”.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ulisses - Fernando Pessoa

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

exercício no SA ministrado por Sandra - primeiro semestre, erros mantidos.

Exercício 14.04
Personagem criada: A Senhorita.
Traço biografemático: O Cheiro forte.
Cenário: O Café da Bety.
Outros: O Narrador Que Toma Café, Ana Loira Glúteos Enormes, Bety Caixa Rude.

1) Forma direta.
Ela entrou enquanto eu empinava uma xícara de café que passou a descer com um gosto peculiar. Até aí, enquanto o café descia pela língua, nada mais a se estranhar, tudo como sempre, a mesa quase engordurada, os vidros bem limpos, o barulho de Bety e seu mal humor na caixa e os sininhos da porta – que neste horário quase sempre barulham de vinte e três em vinte e três segundos ou quase-isso-em-média. Foi quando os sininhos da porta novamente quebraram minha média e tudo foi pelos ares e o café e a xícara baixaram não como sempre com aquele gosto, e Ela, outra Ela, não a primeira que entrou quando o café descia, Ana, mas Ela, aquele cheiro de gosto forte, sumindo no cerrar dos meus olhos e na voz de Bety, com meus olhos já fechados e o nariz e a língua despertos, e “Senhorita?” na rutileza de Bety agilizando a falta de fila na caixa registradora. Senhorita, esta era Ela, aquela do cheiro forte mais forte que o café e mais belo que a loira Ana, sempre tão cobiçada por estas manhãs comuns de glúteos enormes.

2) Forma indireta.
Não é daquelas coisas de tocar. De certo, nem de ver. Com os olhos abertos qualquer homem qualquer poderia desdenhar à Senhorita – como se desdenha a um poeta de dente torto ou caolho. Mas não é disso que se trata. Dente torto e olho vasado são daquelas coisas que qualquer um repudia – assim como pó de café grudado nos dentes após empinar uma xícara do café de Bety. A Senhorita, como Bety me fez batizar aquele cheiro forte, não é daquelas coisas que apetecem, como Ana, nem que enojam, como borra de café nos dentes. A Senhorita é de outra classe. A Senhorita é de cheirar.

3) Forma mista.
E baixo os olhos para um largo pires velho e sua xícara mal encaixada. Trilinn. Os sininhos da porta quase vinte e três vezes três segundos depois da entrada. Roçar de leve com dois dedos compridos em seu conjunto úmido de calor. E com uma mulher? Será estranho não a ver antes de nada. Mais lúbrico assim? A Senhorita e sua nota estranha de peles brancas e roçar negro de cabelos. Ela está aqui ou foi quem saiu? Um pouco mais e não é preciso que os olhos alcem. A Senhorita está aqui, numa presença encorpada: seu cheiro forte guia meus dedos. Unhsffinn. Um cheiro forte e os dedos ainda leves na borda branca do pires quente esquecem até dos sininhos da porta.

o pior tradutor de samuel beckett - joaquim arievillo

está tudo pela hora da morte. é isso. uma noite inteira de trabalho com dois originais, um francês outro inglês - mas como é possível dois originais não faz diferença. está tudo pela hora da morte. ele disse que essa frase foi a tradução de toda noite. o risco de traduzir, argumenta com a cara amassada, é encontrar o

sábado, 21 de novembro de 2009

ciropédia ou a educação do príncipe - hc

Ele trafica em as. Ele madrepérola o abismo. Ele exige ao Azul a explicação: azul.
Todoamoroso grita: "O umbilical. A Árvore Ave! para o babelidioma. A
omphalosárvore".

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


Esse livro envolve 33 autores imaginando e fabulando, em 46 verbetes, as questões: O que é a educação? O que é a pedagogia? O que é pensar? Disparatada, subversiva, desconcertante, perturbadora e enigmática, a obra propõe-se a agir em perspectiva nos labirintos do pensamento educacional e, assim, reinventá-lo. Como uma bola-de-emoção apaixonada (meio-leitura, meio-escritura, meio-fala), gagueja, feito um duplo ou ventríloquo mascarado. Como metadissertação, realiza articulações conceituais entre os universos educacional e pedagógico. Bela para si mesma e fazedora de tilt em seus leitores, ocupa um não lugar de palavras pintadas, pinturas palavreadas, alegrias instigantes, dançações e mundiações, vivênderes e aprendênderes, amorosamente potentes. Sua graça-útil ou utilidade-graciosa consiste em funcionar como introdução à zona de variação contínua de uma educação da diferença.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Elemental, recorte de D.H. Lawrence


Estou cansado de pessoas amáveis,
de certo modo elas são uma mentira.

domingo, 27 de setembro de 2009

alguma coisa - bukowski

estou sem fósforos.
as molas de meu sofá
estouraram.
roubaram minha maleta.
roubaram minha tela a óleo de
dois olhos rosados.
meu carro quebrou.
lesmas escalam as paredes de meu banheiro.
meu coração está partido.
mas as ações tiveram um dia de alta
no mercado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Fantasia Racional


O problema está em saber se as artes e a poesia saberão encontrar métodos intelectuais para a realização de estados estéticos originais e inovadores. Trata-se de alcançar uma nova forma de "fantasia racional". O futuro da poesia e das artes está em se obter uma convergência assintótica entre método e fantasia (assíntota: linha que se aproxima cada vez mais de uma curva dada sem jamais encontrá-la dentro de uma distência finita; do gr. asymptotos, que não cai junto).
Max Bense

FOME DE ESTRELAS

A jovem lua de maio está brilhando, amor. Ele do outro lado dela. Cotovelo, braço. Ele. A lâ-lâmpada do vagalume está cintilando, amor. Tocar. Dedos. Perguntar. Responder. Sim.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Roubo!!!





"siete mil u otro

é um roubo atrás de outro, a imagem roubei da letícia, que roubou na internet de jacek yerka e agora o texto roubado de borges que roubou de joyce foi enviado pro marcos e pra sandra e se multiplicou nos blogs.., numa maquinosferadechinfrimfantasia..., que ótimo, maravilhoso isso...

besos"

fantasiasescritura.blogspot.com

O Borges Máximo







¿Qué es un fantasma? preguntó Stephen. Un hombre que se ha desvanecido hasta ser impalpable, por muerte, por ausencia, por cambio de costumbres.

Para Máximo Maquinosfera





- O que é um fantasma? - disse Stephen com vibrante energia. - Alguém que gradualmente desapareceu em impalpabilidade através da morte, através da ausência, através da mudança de costumes.

Ulisses de James Joyce, tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro.




Para Máximo que me mandou um Borges catador.
Grato.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

TomZé

Guta me look mi look love me
Tac sutaque destaque tac she
Tique butique que tique te gamou
Toque-se rock se rock rock me
Bob Dica, diga,
Jimi renda-se!
Cai cigano, cai, camóni bói
Jarrangil century fox
Galve me a cigarrete
Billy Halley Roleiflex
Jâni chope chope chope chope
Ô Jâni chope chopeIe relê reiê relê

só isso, só:

Torna-me grotesco.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

vidArbo

Uma Queda à Terceira Parte (De vidarbo) do Introdução ao método biografemático, de Sandra Corazza.

(Leitura de Marcos da Rocha Oliveira, Seminário Avançado Introdução ao método biografemático, PPGEDU/UFRGS.)

VidArbo Uma Queda (UQ) céu acima. UQ fende vida e obra. Abismado por UQ o leitor, definido no artigo cômodo, é fendido na queda. O “A” que liga vidA obrA é o plano escorrente. Obra inversa, Arbo, obra in-versada. A escrita de vida, verso vital, reverso do fácil dizer, de blablá contar. Honraria de ler, com amoroso gesto. Gaguejar a mão do escritor. Mão Gaguejante, o homo joyciano, HCE, O Homem a Caminho Está. UQ é inventação. Cria a gagueira do gesto escritural que quedou numa UQ. Que como kamiquase afirma escrita inventa vida. Mas quase. Nada antes, nem obra a vida a obra explica. O “A”, maiusculado na UQ que aqui sobe a grafia marca vidArbo. Fenda na marca, a marca fenda. O escritor cria o marco quando lê. Inventa sua fenda no mundo de vida. Aquela da obra a vida explica. Assim o “A” marca uma reversão da terra e céu: o mínimo é o ponto superior, as epifanias; a voz da possessão que é o pleno do sentido minima. Na terrosa a linha terrorífera para os fáceis, abertura que UQ cria no sentido. O abismo nas pernas abertas do “A” maiusculado em vidArbo. Que come é terra, não divinéia. A divinália toda fica lá, na vida pela obra e na obra pela vida. Lá. Céu acima dos húmus, no código entre os iguais, os deuses, dialogantes de generalidades. Só. Lá. As pernas de vidarbo são de copulagens e fricções. A abertura ao grande aberto, aquém de sensos, na esteira de toda significação. A abertura na terrosa linha, na vida de um homem que a caminho está. UQ nos faz escritores em árias inóspitas, de fáceis só tropeços, de ferinas gentedeletras que marcham inversadas e inventadas. Com o vento que corre entre as hastes do A vidarbado, brada um traço, antes do todo abismo, diz do inventalinguar. Em vidArbo o povo, HCE, delira uma fantasiação. O traço entre trastes é concreção biografemática. Em UQ vidarbo se faz e o reles vai à sina. O insignificante produz o rasgo de significação. Inventalínguas cria vida. Prolifera a voz vociferante da beliciosa terraria. No cio humoroso UQ se mostra. O traço entre trastes que se impede de puro Deus e pura devoração terrificinante é UQ. Com UQ esmigalham-se as coordenadas. Tempespaço no nó da linha cortante. Eixos são a verdadeira vida venal. Vidarbo nada com isso. As hastes do A movem-se como as pinças mínimas para a catação. O que catado é estraçalha as pontes entre céu e terra. Céufogoágua. Cenafórica palavra iniciante. No fechabre do A vira o leitor e sua sina enfática. O grau de UQ. Vidarbo, literatura de testemunho, estilo bíblico, estilo homérico. A inversão que inscreve o leitor como quem escreve põe-no como contador ou inventador. Criador ou testemunhante. Língua-lábio unificador ou hemilabiante gaguélico. UQ de vidArbo céu acima é puro pó. De UQ em Finnicius Revém escritas de vida pós-utópicas. VidArbo UQ num lance galático. Os trastes meros e indispensáveis formantes. Lance de traços abismais. De vidArbo névoas de Uma Queda. Luciferino trato. Cria um Cair um Cria. Com cem letras ribomba a palavra trovão primeira. (bababadalgaraghtakamminarronnkonntonnerronntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk!) O Homem a Caminho Está. UQ queremos. Biografólogos: a caminho estamos – em queda.

24082009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

babel transcriada - HC







Por isso S chamou-se por nome S Babel SS
pois lá S babelizou Ele-O Nome S
a língua-lábio de toda a terra SSS
E de lá S dispersou-os Ele-O Nome SS
sobre a face S de toda a terra



sábado, 1 de agosto de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

austin poems - HC

o poeta é um fin
o poeta é um his

poe
pessoa
mallarmeios

e aqui
o meu
dactilospondeu:

entre o
fictor
e o
histrio

eu

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

28012009

Proposta de Dissertação de Mestrado
“BIOGRAFEMÁTICA DE UM EDUCADOR”
Marcos da Rocha Oliveira
Sandra Mara Corazza (Orientadora)
Banca: Eduardo Pellejero (Univ. de Lisboa); Ester Heuser (UNIPAMPA); Paola Zordan (UFRGS).
28 de janeiro de 2009, às 17 horas
Faced - UFRGS, sala 608.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

carnação fantasmática

pináceas zimbrórias solertam os imagifícios do faunomen aliteratado
acuna! acuna Sumé – trigramas arphálticos: os corpináceos ramam em
fileirados de cadeirinhas na rotatória perimetral – al gravia vitae as
trosa, Shaun: denotae asnus em trevado, Shem
zimbro deste lado deslindado fitântrico ai ai ai as
trígero – tuas ninfas, sebadas, ex tu atoleimado
fragmen favas tricórnio edulcorado nemnada às
flátulas, recreadas sensimesmado num to
co ex foliante do cuspe poroso aturdido nos catarríneos
al grafiados cum(mé) perninhas cam botas de hojeamanhãontem antrecambados baratedos – en mis manos ex mais barata: sina feza
ossomoagem carcaçada na tigela de pelemoagem
quebranto de epi ventanias austrais com camaradas fantasmistifísicos
num nu, sim!tilâncias! polilendo na superfície asfáltica do textagora
o fedor da fé profundalta num só – gangrenagem do universalis: denotatio jegae
iauaretês urram homenmoendahomenmoagem ex
traçoado na eira dundia matungo haroldiano exz
trelado gagobêbado babelbêbado de lolós qual
querum carrodeboi carlosgomeado, mugunzá flambado na ponta de dio
níso, no pé da pon te dilúvio, malabaredas trescentavos
sândaloalabastros num catambá em tropel tremeluzindo o lucil
uzir suarento de pára-brisas geladinhos escuros de medo negro o hom
em branco do olho do medo branco umidoscuro perime a casin
in travessias nas ruelas tênias de ralinhos esgotescrotos ah
pixumas! rorejantes vertigens de pele plin gotejando in trufinhas de ex
trelaz carreiradas phinnn una gnose pneumática ã-hã rolorolando un bin
bomba num coeur cosmonauta

sábado, 4 de outubro de 2008

Joyceanas - rascunhos de setembro

5.
Trieste, névoa em chamas
friezazul em gestos ninfos, sem
telha branca de cheiro:

vaga boca nevada, triste
tivestes ainda cor: cinza
azul – brumas, mofo.

Ternos joelhos baços
– assentisorribocejacoça –
a pele seca, sem cheiro: bafo.



6.
Pálpebras caligráficas, cálida
sílaba breve – castiçais
férreos, monóculos: fina pele

pálida. Muco ranço amarelo
estrias azulares – harmonia
em gemidos: cantata escura

uma onda, sentido. Leve
monotonia, ludibriado lábio
sorri – pensa: amarelado.




7.
Fornicadores descorados – pousando
os olhos elas catam. Ancas
elegantes, ambas além do

recato. Pingando, na moita
névoa e sereno, riso-tátil
cinza-arco, ruas próximas ao

cais; a cidade caída
brisa, brilhantes frontes
– olhos parvos de pedra.



8.
Álacres saltos altos, ecos
ocos nas escadas. Parda boca
de fáceis modos, infinitas botinas

cobrem suas pernas, brotadouros
de dois joelhos – glutona; cravilhos
pêlos cravejados, acres sabores

oferecidos à língua – pele
negra aberta: pôr de lado
os meios viciados – pedrinhas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Joyceanas - rascunhos de agosto

4.

Do sonhorvalho algumas vezes

Tem lembranças; mas nos longos sofás

Por ais ocupados – apenas finos rebotalhos.


Onde um douradilho longe cintila

A aurora conclama em trombetas

A bucha que em teu corpo, ainda


Uma chama tímida alimenta.

Corpo aguado, repousa todos os dias;

dorme-em-flor: teu cheiro tua sina tua comida.

Joyceanas - rascunhos de agosto

3.

A mão espalmada faz seu corpo soar

Dedos de fitas, seus cabelos de ninfa

começam a atar; a cinta angulando


teu seio, no lusco-fusco pendendo

pubescente – lembra, enquanto isso a ausência

de rendas da infância: minutos perdidos.


A mão espalmada fez seu corpo suar

parabéns-a-você: que faz a vida balançar

O cabelo suado, suave a desatar.

Joyceanas - rascunhos de agosto

2.

Arabesco esquivo, luzir floreando

O botão exala o que de mais caro há

Na fita dourada, o cheiro: ah!


Na haste brinca, sua vida: balançar

A carne em ouro – alquimista; tua língua

O laço do buquê, não canso de gozar.


Família de longa data, casario

Porta-de-aristocrata; arabesco na fachada

Leques e roupas-rendadas: ainda: pregueada.

Joyceanas - rascunhos de agosto

1.

Sifílicas meias, pernas a alongar

Veloz em cascos, finuras paragens

Teu sítio calçado – belas tetas, santas-seias.


Vermelho: luz, vinte-e-sete

Tatuagem trivial – chicotes e doses

Astúcias contra as rendas, a furar: um pêlo.


Tinindo couro ardiloso, botas e ventre

Vadia-santa: o cheiro de tuas ligas

Salva-me; hóstia da minha cidade – santa-perene!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

era uma vez e uma vez muito boa mesmo

quarta-feira, 14 de maio de 2008

se, por um descuido das distâncias, o sabor um dia ficar estranho, tanto melhor: os morangos mofados tem um gosto único; agora, ainda, frutas tipo "exportação" - reluzentes, mas a base de muito veneno.

domingo, 4 de maio de 2008

Lendo Greimas:

A gota da torneira oscila
diante do espaço - seu ritmo,
agora excita;
pender,
quase retornar,
cair,
e s t a r d a l h a r:
quebram-se os bicos de todas malditas
pombas.

Devo lembrar de anotar:

Aprenda a perecer.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

P.Z.

sucumbir
por algo
ser tomado
por aquilo

um SIM

sábado, 26 de abril de 2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Oficinas de Escritura - Vita Nova



22 de agosto

Biografemas de infância

Luiz Daniel Rodrigues & Marcos da Rocha Oliveira






RON MUECK

Untitled (Man In Blankets), 2000
Mixed media
17 X 23 1/2 X 28 inches

domingo, 6 de abril de 2008

vivido?


Só aceitou o chá porque sua mãe dissera ser da Barbie:

atributo irresistível.

leitura de c.s.

Propôs-me um jogo de xadrez: lá pelas tantas desembestou a comer todas minhas peças: "damas!", disse-me.

segunda-feira, 24 de março de 2008

afronta







Acordar e esticar os lençóis.
- É bonito.
- Sim, é bonito.
Mas é comum.
- E isso importa?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

arte do fingimento




Perder a voz,




mas manter dois pontos e travessão.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

haste comprida de samambaia para pinçar cogumelos

. .
. .
. . .
.. .
.
. . .
. . .


. . .




.
.


.




Ele se torna cúpido

também, bainxando o olhar

sobre os cogumelos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

a leitura seria o lugar
onde a estrutura
se de s c
o

n t



ro




l
a.






domingo, 5 de agosto de 2007

escreviver

diz: sou um corpo estranho.


e pasmem:

tão cancerígeno quanto bife, coca-cola e cereais matinais.