
quarta-feira, 16 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Orquestra Textual Avalovara apresenta
transe em trânsito por temas oito de palavras cinco e letras cinco no relógio de Julius Heckethorn – em pulsos sílfides, quarto-e-sala ou quase um fosso de elevador – que marcam saltos, apanhados, cornos, punhais da língua, bicos e aves negras no ventre que da boca da ave sem nome, talvez de um livro, em vôo de queda livre na leveza da espiral que rebate e bate e bate e rebate, recurvam o corvo em círculo: pois é de nascer e nascer como cem bocas que lêem um texto na lápide de Leonardo ou na palma da mão que encanta o duplo silvo do pássaro que situa o salto no quase claro de uma língua duas vezes estrangeira dos dois círculos de Roos e cercanias. Clarividência sideral no dorso com dorso do face a face no bico com bico e se bicando na sobreposição que suprime a , pois se lá se expira um corno arranha e marca na pele profunda do sonho semicerrado da criação que sulca o criador que sustém o susto no sulco ainda ausente e mas talvez já lá no preciso, eu disse preciso, preciso!, trópico e eclipse do Unicórnio e velocípede de rodas quadradas que ruma ao fundo obscuro que tende ao negro cair, da pena da ave, da cena da cópula, da papoula e Iólipo, do olho de cem meninas e do rumor de cem bocas de cem borboletas de cem mariposas em um único curso e torneio que se nomeia e numera e marca o fragmento que só ali está no brilho do olho daquela sem porquê sem o onde sem o nome que especula o quarto-e-sala crocodilo corpo tapete tigre arara no olho a olho a olho nu no dorso dos dois mil olhos duplos: encontros, percursos, revelações. O torno de um real onírico no corno rígido solo e suas voltas precisas como um sorvete italiano de máquinas de Cassino ou perto da casa da Gorda, ranço e dourado, branco, besteiras de Paris um trem e o segundo círculo de Roos em Amsterdan: Abel tem suas torres, cada uma ereta como sua língua lambendo a tela de aço fina das janelas para não saltar e as letras finas todas ornadas no volume velho da lablirintoteca, pés seios cornos, a pata esquerda traseira ferida e as três rodas do velocípede que precipita o salto no elevador sem tela e ela é o pássaro que cai e o olho que rapina em sobrevôo o peixe que salta do mar um peixe sem narinas só guelras um peixe que salta do mar e um salto é uma vida um lance no qual se lança fora do mar e num torneio ou outro o salto é iluminação ou carnação no bico de um pássaro que precipita a queda no ventre que é ela, nascida e nascida, e um olho que especula fecha a cena e o velocípede é veloz a leitura fechada na roda esquerda traseira veloz e o pé de menina na sandália desfocada sobe e retorna é fechada na roda a leitura a cena e a roda mais a frente já não é quadrada é círculo um ponto no centro e dois traços duas varas de orquestra pois cada mão é só é duas cada e os dois traços de espanto de linha e do carpete que abafa ao piso que crepita o plástico roda-gira o grito da boca que não fala, do ralo de escorrer gente, do beira fosso e os sem-narinas mil tictac’s pausa e sombra e cair e saltar um outro pedaço outro torneio de Abel babilônico que de verso pra frente e de verso em verso a verso versa a ela, revela o reverso dela, tenta fisgar o peixe, tela da rede do quadrado molhada a tela pela boca descendo com a chumbada e lá o lodo do fundo e o fisgo da tela cinco por cinco e um bico negro pula e lhe rouba a boca papoula língua e nariz. [Suspender o ar. Ler um intervalo ou janela de trem, sobre o unicórnio com greta ferida o som das cidades passando ao largo, negro, talvez nada mais que um espio pela janela do quarto-e-sala. Algumas luzes, nenhuma sombra.] – Entre caibros e telhas sem peso: não há cidade para a narrativa que corre fechada nas duas mãos unidas que correm pelas pontas dos dedos e sustentam um mundo tênue – nuca de fios longos e ruivos e leves, um vento, sopro díssono, melopoética efemereterna na cabeleira negra-mar onde não há pois só há detalhes na execução mesmo se semicerrados e hemilabiais as dissonantes bocas e olhos semitonstos doze um relógio cravado na tatuagem do tapete revela a guelra um tigre e os fios rubros úvula é a cor e o pássaro composto que prolonga o salto a oveira do peixe na curvo bico se espalha e salto e queda é ela nascida e nascida sem cidade e que abre os braços em t e o pescoço escorre nas costas brancas na beira do cemitério marinho onde pairam os de capas amarelas varas e técnicas de pescaria ritmada – cá e lá de semprenunca, cravo e mandolin: o onde, o nome, o porquê: nada soa mais alto mais profundo mais extremo que a hora e o lugar no exato trópico imbatizável lá é cá querer é criar os dedos repassam as oito cordas que se repetem aos pares soando duplas e a leitura sonada de sator arepo tenet opera rotas grita em Iólipo e Unicórnio os o’s de Roos e a O E A vogados sobe e desce na escala mão marcada ao rebento da corda rebentada um troço um traço outro na leitura dos temas cinco de letras cinco de linhas cinco por cinco palavras e letras pele branca marcada é pássaro negro e o relógio o relógio de Julius Heckethorn retorna preciso escrever isso preciso escrever isso preciso escrever isso preciso escrever isso preciso como a precisa orquestra de um cravo preciso escrever isso preciso escrever isso preciso escrever isso que cresce salta e afunda eu vou saltar eu vou saltar e pedalo rápido os dedos da mão marcada correm eu quero tocar o sol no fundo onde os peixes com ele se misturam carpete e piso e pedalo reto reto uma tortura tonta Viena da hora extrema o lugar extremo dorso com dorso cara com cara um fosso de quarto-e-sala uma corda arrebenta na orquestra de um cravo-mandolin só escrever isso escrever isso escrever escrever escrever o salto e queda ela salto e queda nome onde porquê
SATREOPN
[Da espiral e o quadrado; Dos triângulos e a estrela.]

TEXTO REFERENCIAL
LINS, Osman. Avalovara. 6ª Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
[Composta para o Seminário Avançado O que é o ato de criação? Método Valéry-Deleuze, ministrado pela Profª Drª Sandra Mara Corazza, junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.]
terça-feira, 1 de março de 2011
lucila já a palavra vaga
alguma h hýbris
o mimo em papel camurça branco
galáxias?
a paixão branca
branca como o intervalo nu
[branca]
a palavra tua pele a página
bailarina esguia camurça
teu corpo um mantra nuca e vincos
a paixão branca
arde
preto e forte na xícara larga meias
bolinhas lã segunda pele
finos dedos - transparentes no
nexo constelário vulto manto
a palavra tua pele arde
[branca]
figura de palavras: vida (1)
poliedros
ecos de diamante
esta face é um sinal
um sinal
esta face
heliotropias espelhos espectros
nuvens convexas como dedos
estalidos de dedos
esta face é um espelho
e um sinal
poliedro polieco
vacante de espaços
armários onde o sol
não chega para a desova
diurna
urna esta face o sinal
fechado no sobretudo violeta
um corpo
um corpo
a água se represa na minúcia
e lacrima no olho
desordens centopéias centauros fingidos
fogos de palha tempestades
no copo
um cemitério de fosfóros riscados
piróvagos
a palavra é isto vulva
de cadela úvula
vibrante de som
migranas fantasmagorias
um gosto de escarlate
nas narinas
a palavra pode isso
tudo pede
isso tudo
perde isso tudo papilas
amônia precipitada harmonias
contactos
pupilas
a palavra
amor êxtases emulsões
sinuosidades constelantes
nus
sob lentes grossas
sob uma ducha de nitrato de
prata
(do Signantia, de Haroldo de Campos.)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Pesquisa Qualitativa ou Pesquisa Quantitativa?
sábado, 30 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
um dia com "alguma coisa" de Bukowski
as molas de meu sofá
estouraram.
roubaram minha maleta.
roubaram minha tela a óleo de
dois olhos rosados.
meu carro quebrou.
lesmas escalam as paredes de meu banheiro.
meu coração está partido.
mas as ações tiveram um dia de alta
no mercado.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Ungaretti - Haroldo
Eis que chega o poeta
e volta depois para a luz com os seus cantos
e os despende
Desta poesia
me resta
aquele nada
de inexaurível segredo
domingo, 10 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
no direction home
domingo, 12 de setembro de 2010
escrever como um arranhador qualquer
Nos tons que só ele e a sós escuta;
Nunca os ouviu dos mestres - se desfarpa
Talvez por isso a vibração d'inculta
No vosso ouvido.
Livros
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
James Joyce usando o Método de Dramatização
Homem-comum ou Ninguém.
Como?
Por várias perguntas femininas reiteradas referentes à destinação masculina para onde, o lugar que, a hora em que, a duração para a qual, o objeto com o qual no caso de ausências temporárias, projetadas ou efetuadas.
Quando?
Indo para uma cama escura havia um quadrado em volta de Simbá o Marinheiro ovo de alca de roco na noite da cama de todos os alcas dos rocos de Darkimbá o Darkimbadeiro.
Onde?
.
(montagem com o episódio 17 de Ulisses traduzido por Bernardina.)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Impostura
http://fantasiasescritura.blogspot.com/2010/05/atacao-ou-exercicio-cenografico-de.html
quinta-feira, 6 de maio de 2010
O Senhor Educador
http://hdl.handle.net/10183/21380
É só conferir.
Disponibilizarei, nos próximos dias, passagens escolhidas.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Edital do MinC provoca protestos de intelectuais
"Um edital de apoio do Ministério da Cultura (MinC) está causando protestos no meio intelectual. Trata-se do Edital de Periódicos de Conteúdo Mais Cultura, lançado em 30 de setembro, e que teve 26 publicações habilitadas no último dia 19 de fevereiro. Dessas, apenas 4 serão escolhidas
O edital destina-se a abastecer bibliotecas públicas, Pontos de Cultura e de Leitura com publicações de natureza cultural (literária, musical, de artes plásticas). Para tanto, vai destinar-lhes R$ 2,1 milhões. Acontece que, entre os selecionados, estão a "Rolling Stone", "Caros Amigos", "Brasileiros", a "Piauí", "Le Monde Diplomatique" e a revista de inglês "Speak Up", o que levou concorrentes não habilitados a protestarem contra os critérios do edital. Publicações de grandes grupos editoriais, como a "Bravo!", também tentaram a seleção (sem sucesso).
Diversas revistas alternativas importantes, a maior parte de literatura, e que penam horrores para chegar a parcos leitores, não foram habilitadas. A falta de apoio tem vitimado várias, caso da "Ontem Choveu no Futuro", de Campo Grande, que só teve um número; a "Entretanto", do Recife; a "Babel", de Santos; a "Etcetera" e a "Oroborus", de Curitiba, e a "Pulsar", do Maranhão.
Outras, como a "Polichinello" do Pará e a "Azougue" e a "Inimigo Rumor", do eixo Rio-São Paulo, resistem a duras penas. Uma das que saem aos trancos e barrancos (é apoiada por programa da cidade de Londrina, no Paraná) é a "Coyote", publicada há 8 anos (sai esta semana a número 20). Ela foi desabilitada pelo edital por não possuir assinaturas individuais. Um dos seus editores, Rodrigo Garcia Lopes, está frustrado com o resultado.
"O edital privilegia revistas comerciais, que estão no mercado, e acaba inviabilizando revistas de conteúdo realmente cultural, de criação. Será que a 'Rolling Stone', a 'Speak Up' e uma revista como a 'Piauí', que têm uma infraestrutura por trás, um instituto, realmente precisam de incentivo fiscal? É como se fizesse uma política agrária para o latifúndio e deixasse o pequeno agricultor morrer à míngua. Isso é um erro terrível, num governo popular e democrático como este."
Marcio Seidenberg, do grupo que edita a "Ocas", disse que só soube que a publicação não tinha sido habilitada um dia antes de poder entrar com recurso. A revista é vendida nas ruas e bares. "Não sei exatamente qual é a função do edital, se é levar publicações alternativas às bibliotecas ou revistas consagradas", ponderou. O MinC informou que pretende reavaliar o edital numa próxima edição, mas manteve a decisão da comissão julgadora. Também estuda ampliar o volume de recursos para o edital.
(Agência Estado)"
quinta-feira, 11 de março de 2010
tomaztadeu.net/?m=200904
só a mão disse ele
(ó não disse ela
uma vez disse ele)
delícia disse ela
(posso tocar disse ele
quanto disse ela
bastante disse ele)
por que não disse ela
(então vamos disse ele
não muito longe disse ela
onde é muito longe disse ele
onde tu estás disse ela)
me deixa ficar disse ele
de que jeito disse ela
deste jeito disse ele
se beijares disse ela
um pouco mais disse ele
se for amor disse ela)
se quiseres disse ele
(mas me matas disse ela
mas é vida disse ele
mas tua mulher disse ela
agora disse ele)
ai disse ela
(é demais disse ele
quero mais disse ela
ó não disse ele)
devagarinho disse ela
(gggozas?disse ele
ummm disse ela)
és divina!disse ele
(és Meu disse ela)
domingo, 14 de fevereiro de 2010
e não ocorre nada
Roland Barthes. O prazer do texto, p. 18-19.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sonhos de Bunker Hill
"É chegada a hora", disse o Leão-Marinho,
"De falar de muitas coisas:
De sapatos - e navios - e cera para lacre -
De repolhos - e reis -"
Olhei para aquilo e umedeci meus lábios. Não era meu, mas, com os diabos, um homem tem que começar por algum lugar.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Quedas e Viragens
Gilles Deleuze
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Currículo - Sandra Corazza
violento risco
pele de onagro
biografema derradeiro
in-útil ir-real
in-certo in-definível in-descritível
in-sondável in-decifrável ine-narrável in-calculável
currículo-vida:
una disperata vitalità
(Abecedário: Educação da diferença.)
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
O inominável
O inominável, Beckett.
Tradução: Ana Helena Souza
p.132
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A Defesa - 21.01.2010 17h sala 703

“O Senhor Educador”, um texto da série “Biografemática do homo quotidianus”. Tal coleção pratica a Escrita de Vida implicando-a numa não-relação com a já triste metodologia de pesquisa Histórias de Vida – maltratada pela estereotipia da escrita em Educação, pelo pesadume do sentido. O cotidiano lido com Maurice Blanchot, James Joyce, Haroldo de Campos, encontra as condições operatórias para a implicação da noção de biografema, de Roland Barthes. Este cenário, tempespaço de escrileitura, é posto à prova na composição fragmentária de um personagem que dá movimento às qualidades fantasmáticas do homo quotidianus: “O Senhor Educador” mostra, em pormenores exacerbados e traços recolhidos de um amplo inventário sócio-cultural – uma literatura necessária, uma Educação amada – a insignificância, a vida fugidia, a abertura, o desfazimento operado por sua escritura nos Estudos do Cotidiano e nas narrativas de ênfase biográfica e autobiográfica. “O Senhor Educador” faz, a um só tempo, uma extensa crítica educacional e uma intensa fantasiação de “vidarbo”.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
sábado, 5 de dezembro de 2009
Ulisses - Fernando Pessoa
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
exercício no SA ministrado por Sandra - primeiro semestre, erros mantidos.
Personagem criada: A Senhorita.
Traço biografemático: O Cheiro forte.
Cenário: O Café da Bety.
Outros: O Narrador Que Toma Café, Ana Loira Glúteos Enormes, Bety Caixa Rude.
1) Forma direta.
Ela entrou enquanto eu empinava uma xícara de café que passou a descer com um gosto peculiar. Até aí, enquanto o café descia pela língua, nada mais a se estranhar, tudo como sempre, a mesa quase engordurada, os vidros bem limpos, o barulho de Bety e seu mal humor na caixa e os sininhos da porta – que neste horário quase sempre barulham de vinte e três em vinte e três segundos ou quase-isso-em-média. Foi quando os sininhos da porta novamente quebraram minha média e tudo foi pelos ares e o café e a xícara baixaram não como sempre com aquele gosto, e Ela, outra Ela, não a primeira que entrou quando o café descia, Ana, mas Ela, aquele cheiro de gosto forte, sumindo no cerrar dos meus olhos e na voz de Bety, com meus olhos já fechados e o nariz e a língua despertos, e “Senhorita?” na rutileza de Bety agilizando a falta de fila na caixa registradora. Senhorita, esta era Ela, aquela do cheiro forte mais forte que o café e mais belo que a loira Ana, sempre tão cobiçada por estas manhãs comuns de glúteos enormes.
2) Forma indireta.
Não é daquelas coisas de tocar. De certo, nem de ver. Com os olhos abertos qualquer homem qualquer poderia desdenhar à Senhorita – como se desdenha a um poeta de dente torto ou caolho. Mas não é disso que se trata. Dente torto e olho vasado são daquelas coisas que qualquer um repudia – assim como pó de café grudado nos dentes após empinar uma xícara do café de Bety. A Senhorita, como Bety me fez batizar aquele cheiro forte, não é daquelas coisas que apetecem, como Ana, nem que enojam, como borra de café nos dentes. A Senhorita é de outra classe. A Senhorita é de cheirar.
3) Forma mista.
E baixo os olhos para um largo pires velho e sua xícara mal encaixada. Trilinn. Os sininhos da porta quase vinte e três vezes três segundos depois da entrada. Roçar de leve com dois dedos compridos em seu conjunto úmido de calor. E com uma mulher? Será estranho não a ver antes de nada. Mais lúbrico assim? A Senhorita e sua nota estranha de peles brancas e roçar negro de cabelos. Ela está aqui ou foi quem saiu? Um pouco mais e não é preciso que os olhos alcem. A Senhorita está aqui, numa presença encorpada: seu cheiro forte guia meus dedos. Unhsffinn. Um cheiro forte e os dedos ainda leves na borda branca do pires quente esquecem até dos sininhos da porta.
o pior tradutor de samuel beckett - joaquim arievillo
sábado, 21 de novembro de 2009
ciropédia ou a educação do príncipe - hc
Todoamoroso grita: "O umbilical. A Árvore Ave! para o babelidioma. A
omphalosárvore".
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
cá

sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Elemental, recorte de D.H. Lawrence
Estou cansado de pessoas amáveis,
de certo modo elas são uma mentira.
domingo, 27 de setembro de 2009
alguma coisa - bukowski
as molas de meu sofá
estouraram.
roubaram minha maleta.
roubaram minha tela a óleo de
dois olhos rosados.
meu carro quebrou.
lesmas escalam as paredes de meu banheiro.
meu coração está partido.
mas as ações tiveram um dia de alta
no mercado.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Fantasia Racional
O problema está em saber se as artes e a poesia saberão encontrar métodos intelectuais para a realização de estados estéticos originais e inovadores. Trata-se de alcançar uma nova forma de "fantasia racional". O futuro da poesia e das artes está em se obter uma convergência assintótica entre método e fantasia (assíntota: linha que se aproxima cada vez mais de uma curva dada sem jamais encontrá-la dentro de uma distência finita; do gr. asymptotos, que não cai junto).
FOME DE ESTRELAS
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Roubo!!!
"siete mil u otro
é um roubo atrás de outro, a imagem roubei da letícia, que roubou na internet de jacek yerka e agora o texto roubado de borges que roubou de joyce foi enviado pro marcos e pra sandra e se multiplicou nos blogs.., numa maquinosferadechinfrimfantasia..., que ótimo, maravilhoso isso...
besos"
fantasiasescritura.blogspot.com
O Borges Máximo
¿Qué es un fantasma? preguntó Stephen. Un hombre que se ha desvanecido hasta ser impalpable, por muerte, por ausencia, por cambio de costumbres.
Para Máximo Maquinosfera
- O que é um fantasma? - disse Stephen com vibrante energia. - Alguém que gradualmente desapareceu em impalpabilidade através da morte, através da ausência, através da mudança de costumes.
Ulisses de James Joyce, tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro.
Para Máximo que me mandou um Borges catador.
Grato.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
TomZé
Tac sutaque destaque tac she
Tique butique que tique te gamou
Toque-se rock se rock rock me
Bob Dica, diga,
Jimi renda-se!
Cai cigano, cai, camóni bói
Jarrangil century fox
Galve me a cigarrete
Billy Halley Roleiflex
Jâni chope chope chope chope
Ô Jâni chope chopeIe relê reiê relê
terça-feira, 25 de agosto de 2009
vidArbo
Uma Queda à Terceira Parte (De vidarbo) do Introdução ao método biografemático, de Sandra Corazza.
(Leitura de Marcos da Rocha Oliveira, Seminário Avançado Introdução ao método biografemático, PPGEDU/UFRGS.)
VidArbo Uma Queda (UQ) céu acima. UQ fende vida e obra. Abismado por UQ o leitor, definido no artigo cômodo, é fendido na queda. O “A” que liga vidA obrA é o plano escorrente. Obra inversa, Arbo, obra in-versada. A escrita de vida, verso vital, reverso do fácil dizer, de blablá contar. Honraria de ler, com amoroso gesto. Gaguejar a mão do escritor. Mão Gaguejante, o homo joyciano, HCE, O Homem a Caminho Está. UQ é inventação. Cria a gagueira do gesto escritural que quedou numa UQ. Que como kamiquase afirma escrita inventa vida. Mas quase. Nada antes, nem obra a vida a obra explica. O “A”, maiusculado na UQ que aqui sobe a grafia marca vidArbo. Fenda na marca, a marca fenda. O escritor cria o marco quando lê. Inventa sua fenda no mundo de vida. Aquela da obra a vida explica. Assim o “A” marca uma reversão da terra e céu: o mínimo é o ponto superior, as epifanias; a voz da possessão que é o pleno do sentido minima. Na terrosa a linha terrorífera para os fáceis, abertura que UQ cria no sentido. O abismo nas pernas abertas do “A” maiusculado em vidArbo. Que come é terra, não divinéia. A divinália toda fica lá, na vida pela obra e na obra pela vida. Lá. Céu acima dos húmus, no código entre os iguais, os deuses, dialogantes de generalidades. Só. Lá. As pernas de vidarbo são de copulagens e fricções. A abertura ao grande aberto, aquém de sensos, na esteira de toda significação. A abertura na terrosa linha, na vida de um homem que a caminho está. UQ nos faz escritores em árias inóspitas, de fáceis só tropeços, de ferinas gentedeletras que marcham inversadas e inventadas. Com o vento que corre entre as hastes do A vidarbado, brada um traço, antes do todo abismo, diz do inventalinguar. Em vidArbo o povo, HCE, delira uma fantasiação. O traço entre trastes é concreção biografemática. Em UQ vidarbo se faz e o reles vai à sina. O insignificante produz o rasgo de significação. Inventalínguas cria vida. Prolifera a voz vociferante da beliciosa terraria. No cio humoroso UQ se mostra. O traço entre trastes que se impede de puro Deus e pura devoração terrificinante é UQ. Com UQ esmigalham-se as coordenadas. Tempespaço no nó da linha cortante. Eixos são a verdadeira vida venal. Vidarbo nada com isso. As hastes do A movem-se como as pinças mínimas para a catação. O que catado é estraçalha as pontes entre céu e terra. Céufogoágua. Cenafórica palavra iniciante. No fechabre do A vira o leitor e sua sina enfática. O grau de UQ. Vidarbo, literatura de testemunho, estilo bíblico, estilo homérico. A inversão que inscreve o leitor como quem escreve põe-no como contador ou inventador. Criador ou testemunhante. Língua-lábio unificador ou hemilabiante gaguélico. UQ de vidArbo céu acima é puro pó. De UQ em Finnicius Revém escritas de vida pós-utópicas. VidArbo UQ num lance galático. Os trastes meros e indispensáveis formantes. Lance de traços abismais. De vidArbo névoas de Uma Queda. Luciferino trato. Cria um Cair um Cria. Com cem letras ribomba a palavra trovão primeira. (bababadalgaraghtakamminarronnkonntonnerronntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk!) O Homem a Caminho Está. UQ queremos. Biografólogos: a caminho estamos – em queda.
24082009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
babel transcriada - HC
Por isso S chamou-se por nome S Babel SS
pois lá S babelizou Ele-O Nome S
a língua-lábio de toda a terra SSS
E de lá S dispersou-os Ele-O Nome SS
sobre a face S de toda a terra
sábado, 1 de agosto de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
austin poems - HC
o poeta é um his
poe
pessoa
mallarmeios
e aqui
o meu
dactilospondeu:
entre o
fictor
e o
histrio
eu
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
28012009
“BIOGRAFEMÁTICA DE UM EDUCADOR”
Marcos da Rocha Oliveira
Sandra Mara Corazza (Orientadora)
Banca: Eduardo Pellejero (Univ. de Lisboa); Ester Heuser (UNIPAMPA); Paola Zordan (UFRGS).
28 de janeiro de 2009, às 17 horas
Faced - UFRGS, sala 608.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
carnação fantasmática
acuna! acuna Sumé – trigramas arphálticos: os corpináceos ramam em
fileirados de cadeirinhas na rotatória perimetral – al gravia vitae as
trosa, Shaun: denotae asnus em trevado, Shem
zimbro deste lado deslindado fitântrico ai ai ai as
trígero – tuas ninfas, sebadas, ex tu atoleimado
fragmen favas tricórnio edulcorado nemnada às
flátulas, recreadas sensimesmado num to
co ex foliante do cuspe poroso aturdido nos catarríneos
al grafiados cum(mé) perninhas cam botas de hojeamanhãontem antrecambados baratedos – en mis manos ex mais barata: sina feza
ossomoagem carcaçada na tigela de pelemoagem
quebranto de epi ventanias austrais com camaradas fantasmistifísicos
num nu, sim!tilâncias! polilendo na superfície asfáltica do textagora
o fedor da fé profundalta num só – gangrenagem do universalis: denotatio jegae
iauaretês urram homenmoendahomenmoagem ex
traçoado
trelado gagobêbado babelbêbado de lolós qual
querum carrodeboi carlosgomeado, mugunzá flambado na ponta de dio
níso, no pé da pon te dilúvio, malabaredas trescentavos
sândaloalabastros num catambá em tropel tremeluzindo o lucil
uzir suarento de pára-brisas geladinhos escuros de medo negro o hom
em branco do olho do medo branco umidoscuro perime a casin
in travessias nas ruelas tênias de ralinhos esgotescrotos ah
pixumas! rorejantes vertigens de pele plin gotejando in trufinhas de ex
trelaz carreiradas phinnn una gnose pneumática ã-hã rolorolando un bin
bomba num coeur cosmonauta
sábado, 4 de outubro de 2008
Joyceanas - rascunhos de setembro
Trieste, névoa em chamas
friezazul em gestos ninfos, sem
telha branca de cheiro:
vaga boca nevada, triste
tivestes ainda cor: cinza
azul – brumas, mofo.
Ternos joelhos baços
– assentisorribocejacoça –
a pele seca, sem cheiro: bafo.
6.
Pálpebras caligráficas, cálida
sílaba breve – castiçais
férreos, monóculos: fina pele
pálida. Muco ranço amarelo
estrias azulares – harmonia
em gemidos: cantata escura
uma onda, sentido. Leve
monotonia, ludibriado lábio
sorri – pensa: amarelado.
7.
Fornicadores descorados – pousando
os olhos elas catam. Ancas
elegantes, ambas além do
recato. Pingando, na moita
névoa e sereno, riso-tátil
cinza-arco, ruas próximas ao
cais; a cidade caída
brisa, brilhantes frontes
– olhos parvos de pedra.
8.
Álacres saltos altos, ecos
ocos nas escadas. Parda boca
de fáceis modos, infinitas botinas
cobrem suas pernas, brotadouros
de dois joelhos – glutona; cravilhos
pêlos cravejados, acres sabores
oferecidos à língua – pele
negra aberta: pôr de lado
os meios viciados – pedrinhas.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Joyceanas - rascunhos de agosto
4.
Do sonhorvalho algumas vezes
Tem lembranças; mas nos longos sofás
Por ais ocupados – apenas finos rebotalhos.
Onde um douradilho longe cintila
A aurora conclama em trombetas
A bucha que em teu corpo, ainda
Uma chama tímida alimenta.
Corpo aguado, repousa todos os dias;
dorme-em-flor: teu cheiro tua sina tua comida.
Joyceanas - rascunhos de agosto
3.
A mão espalmada faz seu corpo soar
Dedos de fitas, seus cabelos de ninfa
começam a atar; a cinta angulando
teu seio, no lusco-fusco pendendo
pubescente – lembra, enquanto isso a ausência
de rendas da infância: minutos perdidos.
A mão espalmada fez seu corpo suar
parabéns-a-você: que faz a vida balançar
O cabelo suado, suave a desatar.
Joyceanas - rascunhos de agosto
2.
Arabesco esquivo, luzir floreando
O botão exala o que de mais caro há
Na fita dourada, o cheiro: ah!
Na haste brinca, sua vida: balançar
A carne em ouro – alquimista; tua língua
O laço do buquê, não canso de gozar.
Família de longa data, casario
Porta-de-aristocrata; arabesco na fachada
Leques e roupas-rendadas: ainda: pregueada.
Joyceanas - rascunhos de agosto
1.
Sifílicas meias, pernas a alongar
Veloz em cascos, finuras paragens
Teu sítio calçado – belas tetas, santas-seias.
Vermelho: luz, vinte-e-sete
Tatuagem trivial – chicotes e doses
Astúcias contra as rendas, a furar: um pêlo.
Tinindo couro ardiloso, botas e ventre
Vadia-santa: o cheiro de tuas ligas
Salva-me; hóstia da minha cidade – santa-perene!
quinta-feira, 17 de julho de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
Lendo Greimas:
diante do espaço - seu ritmo,
agora excita;
pender,
quase retornar,
cair,
pombas.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Oficinas de Escritura - Vita Nova
22 de agosto
Biografemas de infância
Luiz Daniel Rodrigues & Marcos da Rocha Oliveira
RON MUECK
Untitled (Man In Blankets), 2000
Mixed media
17 X 23 1/2 X 28 inches
domingo, 6 de abril de 2008
leitura de c.s.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
haste comprida de samambaia para pinçar cogumelos
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Ele se torna cúpido
também, bainxando o olhar
sobre os cogumelos.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
domingo, 5 de agosto de 2007
escreviver
e pasmem:
tão cancerígeno quanto bife, coca-cola e cereais matinais.
















